Escrita e leituras críticas
Narrar é criar histórias no tempo presente.
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J A N E I R O - 2026
Box de posturas - (31 de janeiro de 2026)
A caixa de biscoitos era de metal. Sua cor creme era vintage, não por escolha do artista, mas pela ação do tempo. A caixa ficara guardada por longos anos, até o dia em que se decidiu por um uso inesperado: guardar joias.
Alguns pequenos pontos de ferrugem indicavam que a caixa tinha uma história. Era útil para vários propósitos; contudo, agora seria unicamente a guardiã de lantejoulas, miçangas, brincos de pedrinhas, contas e muitos brilhos. Algumas contas de pedra, águas-marinhas e também berloques enfeitavam com sua presença o fundo da lata.
Todo dia, pela manhã, olhando o céu pela janela, ela sentia o ímpeto de escolher a melhor combinação entre suas joias. Em geral, as pedras eram escolhidas pela facilidade em combiná-las com roupas e adereços. Antes, havia toda uma seleção ritualística de como se comportar perante o dia; afinal, os outros mereciam a melhor versão dela mesma.
Naquela manhã, o céu estava azul-claro e as nuvens pareciam sorrir. Ela, então, decidiu usar azul-marinho. Buscou uma saia, mas não a encontrou. Encontrou uma calça do tipo "escritório", em um azul-marinho profundo. Para combinar, a sandália deveria aproveitar a cor. Encontrou. Realmente, ela havia comprado recentemente uma sandália azul-marinho com detalhes em marrom-claro. Era um misto de águas profundas com a lembrança de chão de terra batida.
A combinação exigia um cinto bastante fino, talvez apostando em um tom de cor próximo: um cinto marrom-claro sustentado por uma grossa fivela dourada.
Ela lembrou-se de que uma calça azul-marinho pede um contraponto na blusa. Sua escolha recaiu sobre uma branca com destaques em pérola. A cor pérola ajudaria a realçar o ouro da fivela. Escolhida a blusa, com botões de marfim, faltava a escolha dos brincos. Os dourados eram os melhores; compunham mosaicos de minúsculas pedrinhas vermelhas, quase imperceptíveis.
Vinda da rua, a algazarra de vozes e buzinas lembrou-a de que enfrentaria o trajeto público até seu destino de forma destemida. Para isso, demonstrando parcimônia, escolheu brincos que imitavam gotas, mantendo-os em equilíbrio em ambas as orelhas, formando uma harmonia completa entre rosto e corpo.
Ela já estava quase pronta para mais um dia de trabalho. Faltava um detalhe.
A tampa da caixa de metal abriu-se novamente. Suas mãos começaram a tatear o fundo do compartimento. Qual colar usar? Qual colar melhor imporia respeito ao seu busto? Miçangas baratas não combinavam com o dourado do cinto e o luxo dos brincos. O branco-pérola da blusa, por sua vez, exigia um colar de presença, tanto na aparência quanto no custo.
Ela acabou escolhendo o colar de pedras composto por uma paleta que ia do verde bem claro ao marrom bem terroso, passando por uma infinidade de tonalidades que ora lembravam o barro, ora a areia, ora o lodo. Este colar fazia jus a qualquer arquiteto, pois combinava com todo o conjunto da obra, como se fosse um lindo telhado sobre uma casa nova.
Balançou seus cabelos cacheados sobre os ombros, empinou o peito, respirou fundo e apertou ambas as mãos. Dava a si mesma um grande abraço. Iria enfrentar o mundo.
Naquela manhã, as portas do mundo se abriram frente à sua elegância e equilíbrio. Era uma mulher em harmonia, pronta para enfrentar todos os desafios. O dia estava apenas começando. Era mais um dia normal na vida de uma mulher real.
Tigon Maior e Tigon Menor - (25 de janeiro de 2026)
No meio do oceano está o arquipélago de Tigon, que parece um colar de pérolas em um semicírculo quase perfeito, cujas ilhas variam em tamanho, flora, fauna e história. A maior chama-se Tigon Maior; a menor, Tigon Menor. No maior pedaço de terra, funcionam um porto turístico, hotéis e uma pequena vila de casas e apartamentos. Alguns chalés foram recentemente construídos por uma empresa internacional de hospedagem.
Em Tigon Menor, há apenas uma vila de pescadores que vivem em tendas cujos tetos são feitos de palha de palmeiras e coqueiros. Nas demais ilhas, veem-se apenas pequenas choupanas onde os pescadores, às vezes cansados da labuta, às vezes à procura de amor, descansam entre uma jornada e outra sob o sol causticante.
Em Tigon Maior, seguindo a orientação da empresa que realiza o transporte entre o continente e o arquipélago, estabeleceu-se um condomínio de proprietários. Eles elegem periodicamente um gestor para organizar a arrecadação de fundos e realizar as melhorias necessárias. Junto a esse gestor, é eleito um conselho de moradores para fiscalizar o trabalho do representante. Somente em casos criminais é que o Gestor, o Conselho ou qualquer morador solicita a atuação das autoridades do continente. No mais, tudo é administrado pelo pessoal da ilha portuária.
Já na vila de pescadores de Tigon Menor, sobrevive a tradição do poder familiar: a família mais antiga a chegar à ilha exerce autoridade sobre todas as demais. Há poucos meses, Tigon Maior inaugurou uma escola e as vagas foram disponibilizadas para todas as crianças do arquipélago. Tigon Menor, contudo, permitiu apenas que os meninos ingressassem. As meninas foram deixadas de fora: "Já têm muito o que fazer em casa para ajudar suas mães a cuidar das coisas", afirmou Toran, o líder da vila.
Toran fora criado entre anciãos que já desapareceram e teve acesso às narrativas e condutas que mantinham todos unidos frente à adversidade. Dedicou muito tempo e abdicou de muitas noites de sono para decorar tradições, costumes, mitos, poemas e provérbios dos antigos líderes. "Se com eles tudo deu certo, por que mexer nos costumes?"
Taita sempre admirou o pai pelo esforço em declamar versos antigos, tanto para não esquecê-los quanto para alegrar as crianças em torno da fogueira. Mas Taita tinha ouvido os relatos dos meninos que voltavam da escola e ficou curiosa com tamanhas novidades: máquinas que voavam, caixas de luz que transportavam mensagens ao redor do mundo, espelhos que gravavam imagens e uma tal de matemática, que facilitava entender como montar alavancas para extrair água do subsolo. Tais inovações eram desconhecidas por Toran.
"Pai, quero ir para a escola. Quero conhecer o que os meninos estão aprendendo. Quero sair de Tigon Menor". Toran ficou surpreso com o pedido inusitado. Apresentou o argumento que mais ouvira dos anciãos sobre o peso de abandonar as raízes:
"Como deixá-la partir se você não valoriza o modo como conheço o mundo? Já pensou em quanto nós e os anciãos nos esforçamos para que esta vila sobrevivesse e se tornasse nosso lar? Pensou no tempo que gastamos para manter nosso estilo de vida? Você realmente acredita que é possível viver em paz após descartar todo o nosso conhecimento acumulado?"
"Tenho que ir", respondeu ela. "Você e os anciãos têm medo de traírem-se a si mesmos. Eu não tenho esse medo; quero construir minha própria história".
Januário e o Doutor Sabatina - (23 de janeiro de 2026)
Toda chuva trazia medo. Enchentes não eram novidade por aquelas bandas do interior barrento. Januário dedicava-se a uma rotina ferrenha; uma ação metódica. Da lama à mata, incessantemente, ele ia e vinha. Ia e vinha. Na toada ritmada pelo barulho dos bichos da floresta, ia e vinha.
Ele pôde observar quando grandes caminhões chegaram perto do riacho e, deles, desceram homens vestidos de amarelo-atenção. Capacetes encravados na cabeça, pás nos ombros, lanternas e aparelhos de medição. Um deles, falando alto, logo se identificou aos demais trabalhadores: "Sou o Doutor Sabatina e estou aqui para orientar o trabalho de construção da represa".
Pensar em construir uma represa em um rio lamacento, sob chuva intensa, é trabalho para poucos destemidos ou para sonolentos com bafo de café matinal. Apesar do apelo dos demais companheiros, Januário não queria perder tempo ouvindo conversas de estranhos e continuava indo e vindo: da lama à mata e vice-versa. Fazia seu trabalho sem esperar qualquer tipo de reconhecimento. Alguns até davam uma "mãozinha" a Januário, mas o trabalho dele tinha que ser pessoal e intransferível; do contrário, o resultado não seria seu. Januário queria ser dono exclusivo da sua "represa".
Sabatina emitia ordens para todos os lados e os homens obedeciam milimetricamente, como se seus músculos estivessem programados. As máquinas roncavam seus motores e manipulavam a terra em quantidade nunca vista por Januário e seus colegas. Em pouco tempo, a represa de Sabatina estava pronta, fazendo o rio serenar em um de seus lados, enquanto, no outro, o paredão de terra batida criava um lago de águas turvas e mata despedaçada. Ao final do dia, o doutor e seus homens foram embora. As máquinas ficaram; seriam retiradas nos dias seguintes, a depender da intensidade das chuvas.
A pequena obra de Januário continuava progredindo: a passos lentos, é verdade! Mesmo na madrugada, a minúscula represa continuava a ser erguida, como se brotasse do fundo do rio, agora com águas mais brandas. No dia seguinte, ainda pela manhã, a chuva amainou e Januário pôde apresentar seu feito aos seus colegas. Todos aplaudiram. A contenção de parte de um braço do rio estava concluída; não impedia o fluxo da água, mas era o bastante para controlar o seu uso recreativo, pois era ali que Januário e seus companheiros poderiam se banhar enquanto comiam algumas pinhas.
Ao entardecer, a névoa da mata esfriou o ambiente. Havia umidade no ar e o soluço de alguns trovões longínquos. Bem longe, na cabeceira do rio, aconteceu uma tromba d'água, o suficiente para dissipar qualquer dúvida de que a noite seria longa. A água e sua força não encontram barreiras; uma pororoca inusitada e noturna, cruzando as águas do céu com as da lama.
Ainda apreciando os prazeres da poça, Januário e seus companheiros começaram a ouvir barulhos. Primeiro, roncos abafados. Depois, estalidos, crepitações e estrondos. Algo acontecia no meio da mata, e bem próximo. De sua posição, Januário pôde assistir à imensidão de água chegando pelo rio, carregando tudo o que conseguia: gravetos, galhos, árvores e encostas inteiras. Bem ao seu lado passou o turbilhão de destruição. Acertou em cheio as máquinas que estavam ao redor da represa de Sabatina. O estrondo multiplicou-se em um barulho infernal. As máquinas foram engolfadas de uma só vez.
Assim como chegou, repentinamente, partiu a tromba d'água verde-escura.
No dia seguinte, o Doutor Sabatina não acreditava no que via perante seus pés cheios de lama e detritos. Sua represa se fora junto com o fluxo das águas revoltadas com a contenção. Ao lado, surpreso e abismado, pôde contemplar a pequena barreira intacta feita pelo castor Januário. Admitiu, em seu pensamento mais íntimo, que ainda teria muito a aprender com a natureza.
Santina e seu Bosque - (15 de janeiro de 2026)
Já havia notado que aquela menina se comportava de modo estranho nos intervalos entre as aulas da manhã. Sempre só, ela caminhava de um lado ao outro do quintal que ficava atrás do prédio onde se encontravam as salas de aula do ensino médio. Era uma escola pública, com muita algazarra e pouca limpeza; havia mato e algumas árvores no terreno, além de um muro calcinado pelo sol e prejudicado pela falta de manutenção. Mas aquela menina estava sempre limpa da cabeça aos pés, calçando sapatos pretos brilhantes.
Aproximei-me até onde pude, já que as rodas da minha cadeira não podiam mais avançar devido à falta de piso cimentado. Havia um caminho do corredor principal até o quintal, mas apenas um terço dele estava pavimentado. O restante era composto por entulho e metralha, a base do lamaçal que em breve surgiria com o período das chuvas.
Perto o bastante, pude perguntar o seu nome. "Santina", respondeu. Próximo a uma árvore velha e desengonçada, vi o vulto de um homem corpulento agachado na moita. Era o Seu Bosk. Gritei um cumprimento e ele, mostrando um sorriso escondido pelo bigode grisalho, respondeu: "Olá, menino!".
Santina andava de um lado ao outro. Parava perto da velha árvore e a abraçava. Dizia alguma coisa que eu não conseguia ouvir ou decifrar, e então voltava a caminhar. E assim, durante todo o intervalo, a menina ia e vinha, abraçando o tronco grosseiro daquela planta antiga.
A cigarra eletrônica da escola tocou tão alto que alarmou toda a multidão no pátio: alunos, professores e funcionários. Ajeitei-me para dar meia-volta no que restara da estreita calçada; já estava acostumado àquela manobra rápida. Ainda pude ver Seu Bosk caminhar em direção à Santina, que parecia ter dificuldade em se afastar da árvore.
Primeiro, o seu tronco se afastou do tronco da árvore; depois, lentamente, suas mãos se soltaram. Ela olhou para mim com tristeza e, com a mão apoiada na mão grossa de Seu Bosk, veio em minha direção. Parei. Quando estavam bem próximos, perguntei: "Tudo bem?". O homem assentiu com a cabeça. Santina evitou meu olhar.
Operar a geringonça da minha cadeira fazia com que, na maioria das vezes, eu fosse o último a deixar o pátio. Naquele dia, porém, foi diferente: restáramos nós três. Concordei, com um curto olhar, em ceder a vez. Seu Bosk subiu primeiro com Santina a rampa de acesso às salas de aula. Aguardei o meu momento.
Quando o homem retornou para me ajudar com o maquinário, perguntei, com um pouco de curiosidade e um tanto de empatia pela menina estranha: "O que houve com a Santina?".
"Ela está triste. A árvore confidenciou a ela que sente falta das folhas que estão caindo. A árvore, mesmo velha, não se acostumou a perder suas folhas para o mundo."
Retruquei, sob a ótica dos meus óculos embaçados: "E qual árvore não sente dó das folhas que perde?".
Dois jovens na manhã de suas vidas - (11 de janeiro de 2026)
Não pude deixar de prestar atenção à conversa entre dois jovens que estavam lanchando à mesa ao meu lado. O barulho do shopping, misturado à música das lojas, servia como fundo sonoro para o diálogo entre dois homens, um de 18 anos e outro com 81.
"Zaratustra indicou que a sabedoria não pode ser dada a todos, pois somente um oceano poderia acolher um rio imundo sem se tornar impuro", disse o jovem, que foi prontamente retrucado por seu interlocutor: "O homem é, para mim, uma coisa demasiado imperfeita".
Pela conversa afiada, pude perceber como o passado era imaginado de maneiras diferentes para justificar aquele momento. Enquanto o menos experiente buscava na lembrança dos livros os argumentos para prever o futuro, o outro, mais vivido, apresentava causos da existência para criar futuros possíveis.
Um tanto de filosofia e história se mesclava em frases de efeito colhidas das redes sociais — uma miscelânea de ensinamentos e citações. Não pude deixar de contemplar o argumento de que a ignorância, na maioria das vezes, é benéfica, pois o ignorante pode gozar de uma felicidade inatingível ao homem curioso e sedento de conhecimento.
As expectativas de ambos para o futuro passaram a ser o destaque da conversa, pois os falantes já tinham aceitado que não concordavam em muita coisa quanto à leitura do passado e do presente. Talvez o futuro permitisse algum consenso. Mas, como sabemos, é difícil projetar o porvir: ele ainda não existe e, sendo assim, como é possível ler aquilo que está por vir?
Os dois homens tentaram e chegaram a um acordo: o futuro, para eles, seria o imaginado a partir das experiências distintas que tiveram até então.
De um lado, o jovem vislumbrou um mundo caótico, apocalíptico, desumanizado e quase robotizado, com pessoas andando pelas ruas como zumbis, vestidas com a mesma roupa inteiriça branca e colada ao corpo. Todas de óculos escuros e tampões nas orelhas. Carneiros do futuro.
O mais velho viu um amanhã florido, com toalhas quadriculadas sobre mesas de refeições fartas, homens e mulheres correndo por trilhas em matas cheirosas. Atrás, inúmeros jovens e crianças em algazarra. No centro da mata, em uma clareira, bancos de madeira maciça aguardavam os festejos. Música podia ser ouvida à distância. Choros de bebês chegavam de todos os cantos.
O barulho do shopping aumentou muito devido à mudança de horário. Mais gente, ávida por compras, acorria aos corredores. Cada vez eu escutava menos os dois homens. Em certo ponto, já não os ouvia mais. Desprendi-me daquele interesse e fui também às compras, atrás da oportunidade de adquirir uma toalha quadriculada ou florida.
Girassóis antevendo o futuro - (8 de janeiro de 2026)
Cruzamento urbano, ruas de intenso movimento; meu pé parou na primeira faixa branca. Queria atravessar, mas o corpo não obedecia. Meus olhos fixaram-se na mulher do outro lado da rua. Alta, óculos escuros impenetráveis, paletó laranja repleto de girassóis, gesticulava e falava alto. Não conseguia ouvir; teria que me aproximar.
Ela, de braços levantados, apontava para o alto, para o espaço, dedo em riste. Falava alto palavras não reconhecidas. Aproximando-me, escutei (ou tentei!). Observei. Era o que me cabia fazer.
"Uma bola de cristal não dá credibilidade às cartomantes. O mundo não é só regido por mudanças positivas. As negativas também se combinam. Ambas são exercícios que nos forçam a confrontar as nossas crenças mais profundas. Os céus não estão lá!"
Comecei, enfim, a compreender palavras, depois frases, e consegui captar o sentido de algumas orações.
"Se eu pudesse ver para além do futuro próximo, eu mudaria minhas escolhas no presente. Quando o tempo avançar para o distante milhão de anos e a humanidade for dominada por uma nova espécie, o que restará? De tudo isso aqui, o que sobreviverá?"
O ruído da rua era intenso, tal qual minha curiosidade para continuar ouvindo a mulher elegante, de calça branca de enfermagem e sapato roto. "O futuro é um convite irrecusável. Defina as mudanças que anseia para a sua vida e comece a escrever o futuro que você deseja ver."
De repente, os olhos da mulher arregalaram-se e sua cabeça baixou, como se as suas pilhas tivessem falhado. Ela aquietou-se. E, subitamente, sua cabeça rodou para o lado e seu corpo se pôs a marchar pela faixa de pedestres. Atravessou a rua e sumiu.
Sentei-me junto ao balcão do café na esquina. Pedi um expresso duplo. Ajeitei o lenço no bolso traseiro da calça jeans sem marca e, falando ao atendente, pedi um palito. Instalado em meu novo ponto de observação, não pude deixar de agradecer aos céus por aquele encontro inusitado: girassóis antevendo o futuro!
Amante possessivo e destruidor de livros - (6 de janeiro de 2026)
Mantenho uma relação especial com meus livros. Não vejo cara, só coração!
Como amante possessivo, nem imagino um livro meu na mão de outro. Somente a mim cabe o direito de manusear suas páginas ou recitar suas orações. Acaricio frequentemente capas, lombadas e aceito brincar com os marcadores de página. O olhar sempre pousado sobre o livro, já lido ou ainda por desbravar. Mas sempre é um olhar de controle possessivo.
Por isso, o livro tem que estar sempre à vista, à vista de modo imediato. Assim, não permito que meu cérebro esqueça do livro. Levo o companheiro ao café, às necessidades, à mesa do almoço ou do jantar, à cabeceira e à poltrana do carona no carro.
Levo o livro. Ando com ele. Passeio, caminho, vivo.
Como todo andarilho, nas pausas, respiro, descanso e sonho. Também nessas paradas pelo caminho aproveito para ler uns 10 minutos, ao dia pelo menos. E, misturada à caminhada, vou criando um ritmo. O ritmo da leitura se condensa nas pisadas sucessivas.
Lembra das gotas pequenas de chuva que pela manhã transformam cada calçada em um espelho do céu? Pois é! Lendo aos pouquinhos e diariamente vou construindo um espelho gigante na alma.
Como o hábito é diário, o livro deixa de ser distante e passa a ser companheiro e confidente. Você sabe que ele estará sempre do seu lado.
Toda relação de amor comporta um pouquinho de ódio ou distanciamento. Às vezes, enjoo e pouca querência distanciam-me de um determinado livro. Possessivo, sim! Esclusivo, não!
Abraço a experiência de outro livro, sempre mantendo os olhos no anterior. Há épocas em que o rodízio se dá entre textos longos e curtos, em outras épocas vario entre comédias e dramas. Otimistas versus cantilenas de queixumes. Épicos versus policialescos. Tudo bem! Variar é sempre bom.
Como bom amante, pratico os rituais da leitura. Sento à mesa ou finco as espaldas nos travesseiros. Pode ser pela manhã, logo após o almoço ou no final das contas. De fato, ou pela manhã, tarde ou noite. Mas, principalmente, sempre diariamente. É rotina de leitura tomada ao pé da letra, da página, da capa e do título.
Mas, todo amor incondicional deixa sequelas e as minhas já são bem conhecidas: frases riscadas com lapiseira número 2, trechos inteiros tintados com marca-texto amarelo ou laranja, quinas de páginas viradas porque esqueci o marcador de páginas, lombadas destruidas ou pelo suor ou pela força bruta da dobradura das mãos.
Claro que me pergunto se sou destrutivo. Respondo a mim mesmo que sim. Afinal, os livros não passam por mim indeléveis. Ficam marcados para sempre pela minha vivência.
Por isso, ao final de cada leitura, faço perguntas ao livro de modo a comprometê-lo com a próxima visita aos meus olhos. Compromisso que cumpro e do qual exijo cumplicidade.
José Santhiago
Advogado, Historiador e Pós em Jornalismo Digital. Autor do livro "Caminhada contra o câncer". Assistente em Comunicação Integrada. Instagram: @santhiago
Quero escrever melhor minhas memórias! - (4 de janeiro de 2026)
O passado não está morto: ele aguarda uma folha em branco e a sua caneta.
O passado não é apenas um conjunto de memórias empoeiradas. Ele é um território vasto, cheio de possibilidades narrativas à espera de quem se disponha a explorá-lo. É nele que se encontram as raízes de quem somos e, muitas vezes, as chaves para histórias profundas e personagens complexos. Diante de tantas escolhas, tempos e arrependimentos, surge a pergunta inevitável: como navegar por essa imensidão?
A resposta costuma estar nas perguntas certas.
Se você é alguém que deseja escrever (pode ser ficção pura, memórias, biografias ou qualquer texto) tente viajar no temo. Crie trajetórias, invente personagens, visite o passado, busque fontes interessantes. Você perceberá como é praticamente inesgotável a inspiração que vai ajudá-lo.
Há muito o que conhecer do passado, tanto que ele moldou a história e você sabe disso!. Encare os momentos de “glória” que, paradoxalmente, ainda nos mantêm presos ao que já passou. Afinal, o passado ainda está presente.
A verdadeira magia da escrita está na capacidade de confrontar a essência do tempo: não apenas o que aconteceu, mas o modo como esses acontecimentos nos transformaram. O que mudaria se o seu “eu” atual pudesse enviar uma mensagem ao passado? Como isso alteraria o presente? E, mais importante, o que fazemos hoje para evitar que os mesmos erros se repitam?
Às vezes penso (ou sonho!) como seria se eu pudesse voltar ao passado, não um passado qualquer, mas voltar a um momento específico. Qual seria a data? O que me levaria a escolher uma determinada data ou situação? Curiosidade de historiador ou vontade de mudar algum acontecimento? Quem sabe participar de algum evento importante ou até vivenciar certas experiências? É um dilema e tanto.
Ao mesmo tempo, narro. Isso mesmo, narro! E nas narrativas vamos construindo o passado ao nosso bel prazer. Ou você pensou que a História do historiador não pode ser inventada?
D E Z E M B R O - 2025
Ao nomearmos o outro temos que admitir que existe algo externo a nós mesmos. Essa distinção vem da necessidade humana de se definir pelo contraste, como sombras que só aparecem com a luz. Projetamos nossas crenças políticas ou religiosas sobre o outro, criando identidades que nos distanciam, como se a diferença fosse uma muralha em vez de uma ponte.
Nayara Rosado
Dentista, amante das artes. Escritora de textos técnicos e coautora em livros de Odontologia. Iniciando a incursão pela Literatura com um primeiro livro de biografia livre.
Instagram: @nayarafrotarosado
José Santhiago
Advogado, Historiador e Pós em Jornalismo Digital. Autor do livro "Caminhada contra o câncer". Assistente em Comunicação Integrada. Instagram: @santhiago
N O V E M B R O - 2025
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No ambiente de trabalho contemporâneo, a competência para dialogar, negociar e mediar conflitos de forma transparente é o seu diferencial competitivo mais valioso.
Kleber Sousa
Administrador, bacharel em Direito e Doutor em História
Autor dos livros: "Caminhos do Sucesso: a realização aonseu alcance" e "Liderança empreendedora: um novo livro para um novo mundo".
Instagram: @klebernatal
Conheça mais em: https://www.klebercavalcantes.com.br/
José Santhiago
Advogado, Historiador e Pós em Jornalismo Digital. Autor do livro "Caminhada contra o câncer". Assistente em Comunicação Integrada. Instagram: @santhiago
O U T U B R O - 2025
"o segredo do bem-estar metropolitano não é fugir do caos, mas dançar com ele."
Bárbara Seabra
Cirurgiã-dentista.
Autora do livro “O diário de uma gordinha”. Escritora.
Instagram: @livroacontagota
Naone Alves
Contadora e perita contábil
Bacharel em Ciências Contábeis, Especialista em Auditoria e Perícia Contábil Instagram: @naone.alves
Luciano Cardoso da Silva
Veterano da Legião Estrangeira Francesa, Policial Científico Francês, psicanalista e psicopedagogo em formação, Mestre (nível 3) em Breathworks Instagram: @Lbreathwork_Guyane
Kleber Sousa
Administrador, bacharel em Direito e Doutor em História
Autor dos livros: "Caminhos do Sucesso: a realização aonseu alcance" e "Liderança empreendedora: um novo livro para um novo mundo".
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José Santhiago
Advogado, Historiador, Perícia em Crimes Digitais e Pós em Jornalismo Digital. Assistente em Comunicação Integrada. Autor do livro "Caminhada contra o câncer".
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S E T E M B R O - 2025
"Quando memória e história trabalham juntas, ajudam a sociedade a entender não só o que aconteceu, mas por que isso ainda importa."
Sílvio Augusto do Nascimento
Filólogo, Doutor em Educação, professor-titular e Reitor da WUE–World University Ecumenical (EUA); Diretor do CSA-Curso Preparatório para Concursos
Bárbara Seabra
Cirurgiã-dentista.
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Nayara Rosado
Dentista, amante das artes. Escritora de textos técnicos e coautora em livros de Odontologia. Iniciando a incursão pela Literatura com um primeiro livro de biografia livre.
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Kleber Sousa
Administrador, Direito e Doutor em História. Autor dos livros: "Caminhos do Sucesso: a realização ao seu alcance" e "Liderança empreendedora: um novo livro para um novo mundo".
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Elikah França
Matemática, Mestre em Banco de Dados, bacharel em Direito, Especialista em Perícia em Crimes Digitais, Especialista em Ciências Criminais.
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José Santhiago
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Uma boa opção para conhecer
Reportagem de Arrysson Rodrigues
A G O S T O - 2025
A conquista sobre os obstáculos, grandes ou pequenos, de cada dia e de cada fase da vida, vai construindo a ideia de quem somos.
Elikah França
Matemática, Banco de Dados, Direito, Crimes Digitais, Ciências Criminais.
Instagram:
Flávio Seabra
Odontólogo. Professor universitário. Cirurgião-dentista. Graduação em TI-IMD/UFRN. Especialização em TI.
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Isadora França
Graduanda de Farmácia/UFRN.
Influencer digital sobre estilo de vida saudável.
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José Santhiago
Advogado, Historiador, Perícia em Crimes Digitais e Pós em Jornalismo Digital. Assistente em Comunicação Integrada. Autor do livro "Caminhada contra o câncer".
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