Tema desta edição - JULHO DE 2025:
Diversidade Cultural
A diversidade cultural pode ser comparada a um grande mosaico, em que cada peça representa um povo, uma trajetória, um modo único de viver. Cada cultura carrega consigo tradições, músicas, culinárias, crenças e costumes que tornam o mundo mais rico e a vida muito mais interessante. Já pensou como seria monótono se todas as pessoas pensassem e agissem da mesma forma?
Essa mistura de culturas vai além da beleza: é essencial para o nosso crescimento como indivíduos e sociedade. Ao interagirmos com pessoas de diferentes origens, ampliamos nosso olhar, aprendemos novas formas de pensar e rompemos barreiras do preconceito. A diversidade cultural nos mostra que há múltiplas formas de compreender o mundo – nenhuma superior à outra, apenas diferentes e igualmente válidas.
Claro, lidar com tantas diferenças pode gerar conflitos e desafios. Mas é justamente aí que entram o respeito e a tolerância como valores indispensáveis. Saber conviver com o outro, admirar o que cada cultura tem de singular e construir pontes em vez de muros são atitudes que fortalecem a convivência e a justiça social.
Autores como Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro já refletiram sobre esse tema. Em "Casa-Grande & Senzala", Freyre mostrou como a sociedade brasileira se formou a partir da fusão entre culturas indígenas, africanas e europeias. Darcy Ribeiro, por sua vez, em "O Povo Brasileiro", aprofundou a análise sobre a diversidade étnica e cultural do Brasil e seus impactos na construção da nossa identidade.
Valorizar a diversidade cultural é, acima de tudo, valorizar quem somos. É reconhecer a riqueza das nossas origens e das muitas vozes que compõem a humanidade. E você, como enxerga a diversidade cultural? Compartilhe sua visão e ajude a construir um mundo em que essa diversidade seja motivo de celebração e inclusão para todos.
Nos dias de hoje, compreender e valorizar a diversidade cultural é ainda mais crucial. Temos que registrar, analisar e comunicar levando em conta as múltiplas narrativas que formam a sociedade. Temos a responsabilidade de dar voz a diferentes grupos e combater estereótipos. Também temos que entender os contextos e as interações culturais que moldaram o passado e ainda influenciam o presente. O cidadão tem um papel essencial na construção de uma visão de mundo mais ampla, crítica e inclusiva de toda a sociedade.
Telefone: uma chamada para o futuro
Patrícia Marcos
Economista.
Funcionária pública - Portugal
Um dos maiores prazeres da vida é saber aproveitá-la ao máximo. E viajar, conhecer novas culturas, é algo único que proporciona momentos quase indescritíveis.
Como tudo na vida, viajar exige planejamento, estudo do local e definição do que se deseja conhecer. No entanto, se o destino for um país estrangeiro, o idioma pode parecer um obstáculo. Mas será mesmo?
Hoje, com as novas tecnologias e o avanço da inteligência artificial, as barreiras linguísticas vêm sendo superadas. A comunicação tornou-se mais acessível e universal, especialmente por meio dos tradutores disponíveis na internet. É fascinante poder se comunicar em outros idiomas sem saber uma única palavra! E o mais impressionante é a confiança quase incondicional que passamos a depositar nessas tecnologias. Muitas vezes, não questionamos a veracidade das informações, assim como usamos o GPS sem refletir sobre o percurso, exceto quando conhecemos bem o caminho. Essa deveria ser uma prática comum: questionar, refletir e filtrar todo tipo de informação para não nos tornarmos dependentes automáticos e mantermos a capacidade de discernir o certo do errado.
Voltando à nossa viagem, qual é a primeira coisa que pensamos em colocar na bagagem? Antigamente, seria um mapa. Hoje, é o telefone e seu carregador! Pode-se dizer que quase ninguém viaja sem ele.
Há alguns anos, eu jamais imaginaria que o telefone se tornaria uma ferramenta multifuncional — não apenas para fazer ligações, mas também para navegar na internet, trabalhar, realizar pagamentos, localizar lugares, prever o clima, servir de bússola, GPS e muito mais. Além das chamadas, tornou-se um instrumento de trabalho, permitindo reuniões por vídeo e funcionando como uma excelente câmera fotográfica, com recursos para edição e compartilhamento instantâneo. Curiosamente, ele tem sido cada vez menos usado para sua função original: telefonar.
Aliás, é justamente através dessa máquina multifunções chamada telefone que escrevo este pequeno texto e desejo a todos um excelente dia — enquanto faço o que mais gosto: viajar!
Culturalmente falando…
Bárbara Seabra
Cirurgiã-dentista.
Autora do livro “O diário de uma gordinha”. Escritora.
Instagram: @livroacontagota
Cresci ouvindo Gonzagão, Dominguinhos, Elba Ramalho, Chico Buarque e Milton Nascimento. Meu pai implicava sempre que eu escutava músicas internacionais. Dizia que eu devia dar valor ao que é nosso. Nas entrelinhas: valorizar nossa cultura. Mas o que podemos chamar de “nosso” neste mundo globalizado?
Amo Legião Urbana e os Beatles. Sou apaixonada por Marisa Monte e por Lady Gaga. Elvis Presley e Vander Lee.
Cada um tem seu espaço, sua complexidade, e me permite a busca por completude.
Como nos livros!
Ariano Suassuna me faz rir, enquanto Nicholas Sparks me faz chorar. Fico intrigada com Machado de Assis e assustada com Edgar Allan Poe. Reflito com Ana Claudia Quintana e me perco com Sophie Kinsella.
São diversos e tão únicos que cada um tem um espaço próprio para mim.
Falar em cultura é falar em arte. Em beleza. Em diálogo. Em partilha!
Sim, dialogamos através das canções, dos quadros, das palavras que nos tocam, dos cheiros das comidas típicas de uma região ou país, dos artesanatos, das cores das casas, dos hábitos…
Que bom que somos tão diferentes! Pois as diferenças nos fazem pensar, sair da zona de conforto e conhecer. Conhecer novos tons, novos ritmos. Isso é fascinante.
Somos um mosaico, cheio de pequenos pedaços que parecem não se relacionar, mas que se completam e encantam.
Essa é a beleza da diversidade!
A diversidade cultural e a intolerância
Flávio Seabra
Odontólogo/UFRN. Professor universitário. Cirurgião-dentista/TRE-RN. Graduação em TI - Tecnologia da Informação-IMD/UFRN. Especialização na área de TI.
Instagram: @flaviorgseabra
Nascido e criado em Natal, de 1979 até meados da década de 90 eu morei em uma típica rua natalense, onde tinha criança e gato que não acabava mais.
Nessa época, ficávamos na rua o tempo todo brincando com os amigos. E assim eram quase todas as crianças da rua. Quase. Porque tinha uma que a gente nunca via.
Sabíamos o nome dela, era Ana.
Sabíamos de onde ela era, Estados Unidos.
Para nós ela era “Anamericana”.
Era um mistério para todos nós.
Mas um dia descobrimos porque ninguém nunca via Anamericana.
Descobrimos que ela tinha “parte com o coisa ruim”.
Não gostávamos mais nem de passar na frente da casa dela. Tínhamos medo mesmo.
Hoje eu entendo porque pensamos isso de Anamericana.
Era Halloween, ela resolveu decorar a casa com temas característicos, e nós, do alto dos nossos 10 anos de idade no início da década de 80 na nada cosmopolita Natal, não entendemos nada.
E assim, a póbi da Anamericana virou a minha primeira vítima de intolerância à diversidade cultural.
O que me ajuda a lembrar o tempo todo que intolerância está, geralmente, de mão dada com ignorância.
A diversidade cultural como caminho para o crescimento pessoal
Nayara Rosado
Dentista, amante das artes. Escritora de textos técnicos e coautora em livros de Odontologia. Iniciando a incursão pela Literatura com um primeiro livro de biografia livre.
Instagram: @nayarafrotarosado
Sendo nordestina e amando a terra em que vivo, senti-me impelida a refletir sobre o tema a partir de minhas próprias experiências.
No momento em que vivemos a pujança dos festejos juninos, o sentimento de fazer parte de uma cultura particular aguça nossa identidade e a sensação de pertencimento, que gera conforto e segurança.
O laço que nos une através do jeito que falamos, das comidas típicas, dos ritmos que dançamos e das músicas que ouvimos nos faz integrados a uma sociedade e nos torna fortes para viver outras aventuras e degustar novas culturas.
Passamos a questionar, então, os exercícios que são feitos no sentido de neutralizar a cultura de um homem em prol de uma “cultura universal globalizada”, tentando nos equiparar e nos igualar. Pois, definitivamente, não somos iguais, e a diversidade é o que nos encanta e nos torna especiais.
Sei da dificuldade que os atores nordestinos encontram no Sul do país pelo sotaque que carregam, vendo-se praticamente obrigados a moldá-lo para ter alguma chance no mercado de trabalho. O mesmo se aplica aos latinos para serem absorvidos pela indústria cinematográfica americana, embora seja perfeitamente possível falar ou dublar inglês, francês ou espanhol com sotaque.
E que beleza há nisso! Que diversidade atraente.
O que seria da humanidade se todos gostassem de comer os mesmos pratos ou as mesmas especiarias, vestissem as mesmas roupas ou dançassem as mesmas músicas? Seria como um exército bizarro. Vem-me à mente a célebre frase de Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. E eu penso: todo desrespeito à diversidade cultural é desumano, pois que globalização burra seria se todos fossem iguais.
Portanto, ser um indivíduo único, formado por crenças e tradições de uma cultura, poderá levá-lo a se fechar entre paredes rígidas, resistindo a caminhos inexplorados, gostos e reflexões distintos por achar que a sua própria cultura é a verdadeira e dominante. Ou poderá, simplesmente, permitir-se uma abertura a novos ares, a diversos idiomas, desbloqueando essa resistência para provar sabores exóticos ou aprender novos códigos sociais.
Cada vez que nos permitimos flertar com outras culturas, avançamos no caminho do crescimento pessoal e neutralizamos reações negativas e infundadas que advêm da ignorância que nos congela no espaço.
Se é para diversificar: falemos dos canhotos!
Elikah França
Matemática, Mestre em Banco de Dados, bacharel em Direito, Especialista em Perícia em Crimes Digitais, Especialista em Ciências Criminais.
Instagram: @elikah
Se vamos falar sobre diversidade, não podemos esquecer dos canhotos. É, ninguém fala deles, sequer se lembra deles em qualquer momento — seja na hora de projetar um espaço, preparar um texto, desenvolver um programa de computador, criar uma ferramenta ou uma máquina… e não para por aí. A lista é extensa.
Muitas vezes vistos como desengonçados, "sem jeito" ou “engraçados” — para ser simpático — nós, canhotos, temos que nos adaptar constantemente em tudo o que fazemos, porque o mundo não nos é natural. Eu demorei muito tempo para entender qual era o “meu” problema.
Quando eu era adolescente, época em que tentamos nos projetar como pessoa e sermos vistos, enfrentei muitas dificuldades por causa desse jeito “diferente” de ser. Parecia desajeitada. Sempre esbarrava nas pessoas, errava a posição da fechadura, demorava mais para acertar o lado certo para desrosquear tampas, riscava toda a mão ao escrever no caderno… algo em mim devia estar errado.
Demorei a descobrir que o mundo é destro — e que nós, canhotos, somos sobreviventes.
Falando em sobrevivência, descobri que até ao dirigir temos a tendência de puxar o veículo para a esquerda. Ou seja, nunca vamos para o meio-fio, mas sim para cima do outro carro. Talvez por isso eu batesse de frente com quem vinha no sentido contrário — de bicicleta, patins, carro, andando, correndo… leva-se tempo para se condicionar, mas na hora do susto, não tem jeito!
Portas, para mim, são sempre um problema. E quanto menor o espaço, mais difícil fica usar a mão dominante. “Tá, por que você não faz como todos e usa a mão direita?” — é assim que se espera que o diferente aja: conforme o que a maioria faz (Será que é maioria? Nunca vi uma pesquisa sobre isso…).
E quando falamos em diversidade, será que não está na hora de começar a dar voz e espaço aos canhotos?
“Que besteira!” — diriam alguns. “Canhotos sempre se viraram.” Assim como todos os que, sendo diferentes, lutaram para se encaixar no tal do “normal”.
Um dia, ainda terei uma casa adaptada, onde as portas se abram da direita para a esquerda; onde as chaves girem no sentido anti-horário; onde os cadernos e livros se abram da direita para a esquerda; onde se escreva da esquerda para a direita e, por favor, onde troquem a posição dos talheres. Porque não somos iguais — e respeitar a diversidade é entender que, em qualquer lugar e a todo instante, haverá uma voz dizendo: “Eu queria que fosse diferente.”
Respeitar a diversidade é ouvir o outro e interagir aceitando suas diferenças como se o mundo fosse como ele enxerga.
Centro Cultural Trampolim da Vitória: Um Portal para o Passado e um Palco para o Futuro
Arrysson Rodrigues
Graduando de Jornalismo.
O Centro Cultural Trampolim da Vitória, localizado em Parnamirim, Rio Grande do Norte, é um espaço fascinante que transforma a antiga área de um movimentado aeroporto em um mergulho na história. Inaugurado em 2019, o local oferece uma experiência única, levando os visitantes a uma viagem no tempo, com destaque para a Segunda Guerra Mundial e a história da aviação brasileira.
Ao adentrar o Centro Cultural, somos transportados para um período crucial da história, quando o aeroporto de Parnamirim desempenhou um papel estratégico como ponto de conexão para aviadores de todo o mundo. A exposição detalha a importância do Rio Grande do Norte durante a guerra, revelando fatos e curiosidades que marcaram a região.
Além da temática da Segunda Guerra Mundial, o Centro Cultural também dedica um espaço especial a Augusto Severo, um pioneiro da aviação brasileira, e à história do avião nacional. Guias experientes conduzem os visitantes por essa jornada, apresentando informações relevantes e garantindo uma experiência enriquecedora.
No entanto, o Centro Cultural Trampolim da Vitória vai além de ser um simples museu. Ele se configura como um espaço de encontro, aprendizado e promoção da diversidade cultural. Ao apresentar diferentes perspectivas históricas e culturais, o Centro Cultural estimula o pensamento crítico e a reflexão sobre o mundo que nos cerca.
A importância de centros culturais como o Trampolim da Vitória é ainda maior quando pensamos na educação das novas gerações. Ao proporcionar um contato direto com a história e a cultura, esses espaços despertam o interesse dos jovens pelo conhecimento e incentivam a valorização da diversidade cultural. Além disso, promovem a pluralidade de pensamento, permitindo que os jovens construam suas próprias opiniões e perspectivas sobre o mundo.
Em um mundo cada vez mais globalizado, é fundamental que as novas gerações compreendam e valorizem a diversidade cultural. Centros culturais como o Trampolim da Vitória desempenham um papel crucial nesse processo, oferecendo oportunidades de aprendizado, reflexão e troca de experiências que enriquecem a vida de todos.
A Diversidade Cultural em um Mundo Plural
Kleber Sousa
Administrador, bacharel em Direito e Doutor em História
Autor dos livros: "Caminhos do Sucesso: a realização aonseu alcance" e "Liderança empreendedora: um novo livro para um novo mundo".
Instagram: @klebernatal
Desde os primórdios da sociedade humana, o homem buscou ampliar seus horizontes e expandir seu domínio neste planeta. Essa busca o levou a conhecer novas comunidades e sociedades, muito além das fronteiras de suas aldeias, vilas e cidades. Descobriu novos hábitos, comidas, crenças, conhecimentos, valores, lendas e mitos, que impactaram sua maneira de ver o mundo. Essa capacidade adquirida proporcionou a esses indivíduos, que ousaram empreender essas jornadas, a aquisição de uma nova cultura.
É inegável que o mundo em que vivemos é o resultado de todas as interações, trocas e transformações geradas por fatores humanos e físico-químicos que ocorreram e ocorrem no globo terrestre. Outrossim, nossa participação nesse complexo sistema humano exige de cada um de nós a capacidade de integrar-se às relações econômicas e sociais do nosso mundo, que está em constante transformação. Como afirmou Alvin Toffler: "Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas sim aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender."
Essa citação ilustra a necessidade de estarmos abertos a aprender com as diferentes culturas e a nos adaptar às mudanças constantes da sociedade globalizada.
Nesse sentido, a diversidade cultural no mundo contemporâneo se impõe como essencial para viabilizar que as pessoas possam conhecer a grande variedade e complexidade das culturas que existem na sociedade global.
Assim, acredito que não há espaço no mundo contemporâneo para aqueles que não são capazes de conviver com as diferenças, respeitar o outro e suas crenças. Pierre Bourdieu também nos alerta sobre o impacto das culturas dominantes, afirmando: "A cultura é um dos mais poderosos instrumentos de poder, pois ela define o que é normal, o que é legítimo, o que é verdadeiro e, portanto, o que é possível". A promoção da diversidade cultural, então, não é apenas uma questão de tolerância, mas uma forma de resistir às imposições de uma cultura homogênea e garantir a legitimidade de múltiplas identidades.
Obviamente, é uma utopia falar em um mundo de total compreensão e paz. No entanto, acredito que, quanto mais trabalharmos em prol da conscientização sobre a nossa diversidade e amplitude cultural, mais estaremos contribuindo para transformar nosso planeta em um lugar melhor para se viver, com mais respeito e compreensão dos direitos de cada indivíduo e de cada comunidade, sempre valorizando a vida humana e a proteção dos valores de cada um.
Ocidente sob Vigilância
Julian Medeiros
Graduando de Jornalismo. Autor dos livros "Suspiros de um jovem Cristão" e "Vivai - o multiverso da poesia".
O mundo ocidental, berço do Renascimento, do Direito Romano e da filosofia grega, foi também o solo onde o cristianismo ganhou corpo e adesão popular. Aqui, encontrou refúgio para sua expansão pelo mundo.
A história do Ocidente não foge aos padrões da história humana: houve, sim, contradições, guerras e injustiças, como em toda parte, ao longo dos séculos. Mas afirmo categoricamente: a sociedade ocidental é a mais justa e próspera que já existiu, mesmo com suas dificuldades internas.
Porém, nos últimos tempos, estamos diante de um inimigo interno. Um inimigo que nasceu de nossas próprias virtudes: a liberdade de expressão, de culto e a pluralidade de ideias.
É como um filho que deseja assassinar a própria mãe.
O secularismo e o globalismo cultural nasceram no Ocidente, porque somente aqui poderiam nascer. Contudo, hoje ameaçam destruir sua beleza, suas virtudes e a esperança da redenção em Cristo.
Estamos assistindo à ruína da maior civilização que o mundo já conheceu. E esse fim, de certa forma, é inevitável, porque nunca foi sobre reinos e impérios provisórios, mas sim sobre o Reino eterno de nosso Senhor Jesus Cristo.
Sigamos construindo, sonhando e lutando, até que Ele venha e concretize tudo em todos nós.
Alteridade cultural: Entendendo e acolhendo as diferenças no mundo
José Santhiago
Advogado, Historiador e Pós em Jornalismo Digital. Autor do livro "Caminhada contra o câncer". Assistente em Comunicação Integrada. Instagram: @santhiago
Imagine que você está olhando no espelho. Você vê a si mesmo, com suas ideias e seu jeito de ser. Agora, imagine que ao seu lado existem vários outros espelhos, e cada um reflete uma pessoa completamente diferente, com outros costumes, crenças e histórias. Alteridade cultural é exatamente isso: a capacidade de reconhecer que o "outro" existe e é diferente de você, e que essa diferença é legítima e valiosa. É entender que o seu modo de ver o mundo não é o único que existe.
A importância disso é que, ao perceber o outro como diferente, aprendemos a ter empatia. A alteridade nos convida a sair da nossa própria bolha e a tentar enxergar o mundo pelos olhos de outra pessoa. Esse exercício nos torna mais respeitosos e tolerantes, pois passamos a compreender que as pessoas agem de maneiras distintas por terem criações, valores e experiências de vida diferentes das nossas.
Aceitar essa diversidade de jeitos de ser e de pensar, o que chamamos de pluralidade, é fundamental para uma convivência pacífica. Em uma sociedade, existem pessoas com opiniões políticas, religiões e estilos de vida variados. E isso não é um obstáculo. É uma vantagem civilizatória. Saber conviver com essa pluralidade não significa concordar com tudo ou com todos, mas sim respeitar o direito de cada um de ser quem é e de pensar por conta própria.
Contudo, essa aceitação tem um limite claro: os direitos humanos fundamentais. Nenhuma cultura, tradição ou opinião pode justificar a violação da dignidade e dos direitos básicos de uma pessoa, como o direito à vida, à liberdade e à segurança. A regra de ouro é que a liberdade de um termina onde começa a do outro, e os direitos humanos são a base que garante a proteção de todos, sem exceção.
Em um mundo cada vez mais conectado, a educação tem um papel duplo e muito importante. Ela precisa preparar as crianças e os jovens para serem cidadãos do mundo, capazes de interagir com pessoas de todos os lugares. Interagir como sinônimo de conviver e aceitar a existência do "outro diferente". Ao mesmo tempo, essa educação não pode apagar quem somos. Ela deve valorizar e preservar a identidade local, ensinando sobre a cultura da nossa própria comunidade, nossas tradições e nossa história.
Dessa forma, a escola tem um papel essencial na formação cidadã plural, pois se torna um lugar especial onde aprendemos a ser "daqui" e do "mundo" ao mesmo tempo. Também permite que vejamos o "outro de lá" como detentor de saberes e de direitos. Assim, uma educação que acolhe as diferenças e ensina o respeito mútuo, baseada na alteridade, poderá formar pessoas mais justas e preparadas para construir um futuro globalizado onde todos possam pertencer e ser respeitados.