Tema desta edição - JUNHO DE 2025:
Linguagem Simples para o leitor cidadão
Linguagem Simples - O que é.
A Linguagem Simples é uma ferramenta poderosa que nos ajuda a entender informações de forma direta e descomplicada. Imagine poder acessar leis, notícias ou qualquer assunto complexo sem ter que reler várias vezes ou pedir ajuda! Essa é a proposta da Linguagem Simples: tornar a informação acessível a todos, independentemente do nível de escolaridade ou conhecimento prévio sobre o tema. Ao facilitar o acesso à informação, a Linguagem Simples incentiva a participação das pessoas nas decisões importantes da sociedade.
No Brasil, a Linguagem Simples é um conjunto de técnicas de escrita e design que visam produzir textos claros e fáceis de entender. O objetivo principal é que o leitor consiga encontrar, compreender e usar as informações de que precisa de forma rápida e eficiente. Isso pode ser aplicado em diversos contextos, desde um site de câmara municipal até um folheto sobre saúde para comunidades ribeirinhas. Em todos os casos, tanto quem lê quanto quem produz o conteúdo se beneficiam da clareza e objetividade da Linguagem Simples.
É importante destacar que a Linguagem Simples não se resume a "quanto mais simples, melhor". O foco principal é a clareza! Por isso, em outros países, a técnica é conhecida como "Linguagem Clara" ou "Plain Language". A ideia é que a informação seja apresentada de forma organizada e acessível, permitindo que o leitor se concentre no conteúdo em si, e não na dificuldade de decifrar a mensagem. A Linguagem Simples pode ser usada até mesmo em textos técnicos para especialistas, garantindo que a informação seja transmitida de forma eficiente.
A Linguagem Simples vai além da escolha de palavras fáceis. Ela envolve técnicas de organização da informação, estrutura das frases e design visual, tudo para facilitar o processamento das informações pelo cérebro. Essas técnicas são baseadas em estudos da psicolinguística, neurolinguística e design da informação, e seguem padrões internacionais estabelecidos pela ABNT. A Linguagem Simples é para todos nós que valorizamos nosso tempo e queremos entender as informações de forma rápida e eficiente.
Seria simples?
Bárbara Seabra
Cirurgiã-dentista.
Autora do livro “O diário de uma gordinha”. Escritora.
Instagram: @livroacontagota
Seria simples? Será claro?
Escrevo, falo, leio, escuto. Me comunico! Outra pessoa me escuta, me lê, me escreve e me fala. Me comunico! Mas… Porém… Todavia… Entretanto… Será que aquilo a que me proponho comunicar é o mesmo que aquele que ouve ou lê consegue compreender? Eu entendo sempre o outro? Acho que nem sempre as coisas acontecem nessa fluidez. Somos dois (ou mais!) numa conversa recheada de palavras, com significados que nem sempre são os mesmos para ambos os lados. Quando falo na manga, estou pensando na manga fruta, na manga da camisa ou na manga do verbo mangar - tão próprio do nordestino? Pensei numa manga. Quem me ouve pode pensar em outra. E estaria tudo bem, se isso não causasse um ruído na comunicação, portanto, na relação. Por isso, as coisas não são tão simples quanto parecem. Eu escuto o que quero escutar, ou, se isso não me agrada, acabo por não ouvir completamente, pois já estou pronta para a discussão. A linguagem, assim, se fragmenta. Ela é frágil. E indócil!
Na psicanálise, segundo Lacan, somos seres de linguagem. Acho isso absurdamente fantástico. Somos, sim, seres de linguagem. Aprendemos a nomear não só objetos, cores, pessoas, mas também sentimentos. Ficamos angustiados ao tentar expressar em palavras aquilo que é tão nosso, como quando vemos nosso filho sorrir pela primeira vez e gostaríamos de anunciar ao mundo como isso é grandioso. Porém, as palavras nos faltam. Vem aquele nó na garganta, travando nossa língua. Então, as palavras escorrem. Através das lágrimas. Sim! Lágrimas são linguagem. Corpo é linguagem. Rosto é linguagem. Toque é linguagem. Talvez não tão valorizadas quanto as palavras ditas ou escritas, mas muitas vezes mais honestas. E melhor compreendidas! Porque passam pelo coração e saem de nós sem pensarmos, sem filtro. Apenas fluem. E tocam o coração do outro, também sem pensar, sem filtro. É!
A linguagem pode ser simples. Simples, mas não é simplória…
Essa tal informática
Elikah Franca
Matemática, Mestre em Banco de Dados, bacharel em Direito, Especialista em Perícia em Crimes Digitais, Especialista em Ciências Criminais.
Instagram: @elikah
No início era interface, memória RAM, memória ROM, driver, disquete, monitor, mouse e teclado, e com eles vieram novos verbos para incrementar a nossa língua portuguesa: formatar, deletar, compilar, imprimir. Na tentativa de trazer o novo, o povo foi criando novas palavras. Palavras que poucos entendiam. Mas repetiam porque os tornavam parte de uma revolução, a da informação automática, a informática. E ela evoluiu e trouxe novas palavras, novos conceitos de algo que já existia: a tal da nuvem. Computação em nuvem. Agora tudo está na nuvem e o pobre mortal, mero usuário, não consegue compreender o que é essa tal nuvem. Deve ser algo divino ou talvez sobrenatural.
O fato é que no mundo virtual, naquele em que só enxergamos seus resultados, para navegar não precisamos de navios e nem de tripulações. Vai ver existem ondas que nos levam até as nuvens e lá encontramos todos os nossos pensamentos que já registramos.
Muitos sequer imaginam o que é computação nas nuvens, embora nela guardemos todos os nossos pensamentos escritos, nossas ideias, nossos projetos, nossas histórias de vida armazenadas em imagens. No final, tudo não passa de zeros e uns! Mas isto já é demais para uma compreensão clara do mundo informático.
Dizem que chegou agora uma tal Inteligência artificial e que ela vai ser melhor do que todos nós. Ela sabe tudo, muito mais do que qualquer um de nós. Mas ela não pensa, compara padrões e os repete, parecendo e se fazendo de inteligente…e nesta de parecer inteligente, inventa histórias que não existem e fatos que não ocorreram. E quando a inteligência artificial se encontra com uma mente preguiçosa, o criado artificialmente se torna real.
Só uma mente atenta não vai se deixar levar pelo encantamento de palavras difíceis e de histórias que de tão bem contadas, parecem reais. No mundo da tecnologia digital, tudo se cria copiando-se palavras que combinam entre si. Uma coisa é certa, aquele jeitinho especial de falar, aquele sotaque, aquela expressão regional, isso a tecnologia não vai conseguir copiar. Ela é real e é nosso jeito de ser e de se expressar.
Para estas palavras difíceis da tecnologia informática, deixamos nosso uai!, nosso vice!, nosso arretado e nosso bichin!
Escrever bem, exige objetividade e clareza
Kleber Sousa
Administrador, bacharel em Direito e Doutor em História
Autor dos livros: "Caminhos do Sucesso: a realização aonseu alcance" e "Liderança empreendedora: um novo livro para um novo mundo".
Instagram: @klebernatal
A escrita ainda é um dos principais meios de comunicação da sociedade humana, que se consolidou pela sua capacidade de comunicar de forma oral e pelo seu raciocínio. Escrever é um meio de comunicação, além de possibilitar registrar acontecimentos e construir histórias de pessoas, instituições e da sociedade em geral.
Nesse sentido, a escrita exerce um papel importante para a humanidade e compreende-se que o seu domínio e o seu bom uso contribuem de forma decisiva para o desenvolvimento das pessoas e das instituições.
Outrossim, a arte de escrever exige algumas competências.
Escrever com objetividade e clareza é fundamental para uma comunicação eficaz, especialmente em contextos profissionais e acadêmicos. A linguagem objetiva permite que o leitor compreenda rapidamente a mensagem, sem ruídos ou interpretações equivocadas. Já a clareza garante que as ideias sejam expressas de maneira lógica e acessível, respeitando o nível de conhecimento do público-alvo.
A objetividade se traduz na capacidade de transmitir informações de forma direta, evitando redundâncias, exageros e desvios do tema principal. Em um mundo em que o tempo é cada vez mais escasso, mensagens concisas são valorizadas por sua eficiência.
A clareza, por sua vez, está relacionada à estrutura do texto, à escolha adequada de palavras e à organização das ideias. Um texto claro segue uma sequência lógica, utiliza vocabulário apropriado ao público e evita ambiguidades. Isso é especialmente importante quando o objetivo é informar, instruir ou convencer, pois a má compreensão pode levar a erros de interpretação ou decisões equivocadas.
Dessa forma, a escrita objetiva e clara demonstra respeito ao leitor, indicando que o autor se preocupou em tornar sua mensagem compreensível, sem exigir esforço excessivo de quem lê. Essa prática fortalece a confiança e a credibilidade, dois elementos essenciais em qualquer tipo de relação comunicativa.
Portanto, escrever com objetividade e clareza não é apenas uma questão de estilo, mas uma necessidade em uma sociedade que valoriza a informação rápida, precisa e acessível. Dominar essa habilidade é um diferencial importante em qualquer área do conhecimento ou atuação profissional.
Norma Culta e a Arte de Sobreviver a um TCC de TI
Flávio Seabra
Odontólogo/UFRN. Professor universitário. Cirurgião-dentista/TRE-RN. Graduação em TI - Tecnologia da Informação-IMD/UFRN. Especialização na área de TI.
Instagram: @flaviorgseabra
Recentemente precisei escrever um trabalho de conclusão de curso.
No processo de escrita, a questão da linguagem foi algo que me chamou a atenção em vários momentos.
Quando se escreve um texto formal, como uma Trabalho de Conclusão de um curso universitário, é necessário se usar o máximo possível a norma culta da língua portuguesa, certo? Certo.
Mas e quando é na área de Tecnologia da Informação?
Vamos ver.
Redes neurais LSTM (Long Short-Term Memory) são… péra! LSTM não. Vamos colocar redes neurais MCLP (memória de curto e de longo prazo). Continuando…
Redes neurais MCLP são um tipo de rede neural recorrente (RNN) que… péra!… Rede Neural Recorrente seria RNR e não RNN. Continuando…
Redes neurais MCLP são um tipo de rede neural recorrente (RNR) que usa um Forget Gate…péra! Forget Gate seria Portão do Esquecimento? Ficou meio Twilight Zone esse negócio. Twilight Zone não! “Além da imaginação”. Talvez “Portão de Esquecimento”? Parece que ficou melhor. Continuando…
Redes neurais MCLP são um tipo de rede neural recorrente (RNR) que usa um portão de esquecimento que ajuda a rede a aprender de forma a evitar o vanishing gradient durante a backpropagation…péra!!!! Vanishing gradient seria “gradiente desvanecente”. Mas backpropagation é complicado. Propagação para trás? Vamos ver. Continuando…
Redes neurais MCLP são um tipo de rede neural recorrente (RNR) que usa um portão de esquecimento que ajuda a rede a aprender de forma a evitar o gradiente desvanecente durante a propagação para trás, para que na próxima etapa de feedforward… péra! Como eu escrevo feedforward? Alimentar para frente? Vamos ver. Continuando…
Redes neurais MCLP são um tipo de rede neural recorrente (RNR) que usa um portão de esquecimento que ajuda a rede a aprender de forma a evitar o gradiente desvanecente durante a propagação para trás, para que na próxima etapa de alimentação para frente a Loss seja menor…péra! Loss é perda. Continuando…
Redes neurais MCLP são um tipo de rede neural recorrente (RNR) que usa um portão de esquecimento que ajuda a rede a aprender de forma a evitar o Gradiente Desvanecente durante a propagação para trás, para que na próxima etapa de alimentação para frente a perda seja menor.
Pronto. Um parágrafo já foi. Acho que está ficando bom. Vou mandar para o orientador para ver o que ele acha. Chegou a resposta do orientador. Deixa eu abrir aqui…
- WTF?!?!?!?!?!
A linguagem plena
Nayara Rosado
Dentista, amante das artes. Escritora de textos técnicos e coautora em livros de Odontologia. Iniciando a incursão pela Literatura com um primeiro livro de biografia livre.
Instagram: @nayarafrotarosado
Olhando pela minha janela vejo a Mata Atlântica que se destaca como um borrão verde na paisagem. Se viro o olhar para a direita, enxergo as torres de telefonia eretas para o céu, como estruturas de ferro, que acomodam antenas de captação. Essa imagem me fez refletir sobre a importância da comunicação para os seres humanos e de que formas esse processo pode acontecer.
Claro que os códigos de linguagem oral e a escrita, como os conhecemos hoje, facilitaram tudo e, sem dúvida, nos aproximaram mais uns dos outros. No entanto, são tantas as formas de expressão e linguagem que podem levar a uma comunicação ativa que merecem uma reflexão mais profunda. Seja em canções, em filmes, em jornais e livros impressos ou digitais, em obras de arte, esculturas, pinturas, na dança, no toque, na lágrima e mais, a linguagem se expressa.
A comunicação se dá com palavras ou até com silêncio. Através de um momento de concentração, ao olhar uma obra arquitetônica que nos toca ou a observar a própria natureza. E já é comunicação. A magia começa quando aprendemos a ler e depois a escrever, porque tudo parece mais palpável.
Embora a comunicação também venha do sentimento, do coração, de perceber o significado mais profundo da vida, em seus pequenos ou grandiosos detalhes. Porque, para além do que se fala ou escreve, há o que se interpreta e que torna o processo ainda mais belo ou desastroso, a depender da imposição de ideias.
A linguagem pode tomar formas mais complexas, divinas até, eu diria. Portanto, escrever passa a ser uma forma de encontro com uma outra pessoa, com seus próprios desejos, bloqueios ou ansiedades, que podem, através dos textos, perceber algo no seu próprio interior, instigando uma reflexão pessoal ou até despertar, no outro que lê, o anseio por também escrever.
A descoberta das letras, das palavras, dos sons, dos significados e dos antônimos foi, para mim, um despertar de satisfação e entusiasmo. Ainda hoje, me pego correndo para o dicionário cada vez que escuto ou leio uma palavra desconhecida, com uma curiosidade imensa e até surpreendente. Isso também explica minha atração por conhecer outros idiomas, por estudá-los, relacioná-los e compará-los, pautando meus desafios na vida. Passei alguns dias pensando em como me sinto quando escrevo, e como, ao tempo que exercito essa experiência humana de transcrever ideias, percepções, fatos e sentimentos, também me conecto profundamente com a minha própria alma. Num instante que, de tão presente, poder ser traduzido como uma prática “mindfulness”.
Escrevo por nada, por nenhuma razão específica, para mim mesma ou para fazer um carinho a alguém, ajudar o outro em alguma dificuldade, manifestar insatisfação com problemas da sociedade ou da política que nos revoltam, ou ainda para escrever textos técnicos.
Uma amiga me disse, certa vez, que escrever é muito mais. É um ato altruísta. Escrever é para os outros, para ajudar, para mostrar novos caminhos ou possibilidades. Serve a um fim humano em si. Concordo. Escrever é muito mais; não cabe em si. Às vezes, escrevo palavras para mim mesma, para não esquecer o que me motivou a tomar certa decisão ou, após um longo tempo, para lembrar-me como eu era antes, ressignificar a vida ou constatar que já não sou a mesma e que, se sofri, também cresci.
Dessa construção, há que se encontrar um lugar onde você simplesmente se permita ser veículo de exteriorização, sem que o ego e a vaidade impeçam que a sua essência apareça. É fácil deixar o julgamento alheio sobre o resultado material de suas pequenas experimentações influenciar e desestimular a criação que vem de dentro. O momento da escrita pode ser um ato de aproximação com Deus, quando libertamos nossa personalidade e cortejamos espaços mais elevados do nosso templo interior.
Mas, pensei que a linguagem do corpo é, por sua vez, forte demais e transcende a oralidade ou a escrita. Percebo que a vida pulsa em mim e se comunica de tantas formas visíveis e outras apenas sentidas. Evidentemente, um gesto pode transmitir ao outro uma carga educativa exponencial, como é o processo mais verdadeiro de educação humana, aquele que vem do exemplo. Aristóteles disse que o homem é um ser político, que precisa viver em sociedade e que só terá vida plena sendo cidadão de uma cidade-Estado, aplicando o conceito de mimesis e ressaltando o papel da imitação do educador pelo aluno.
Não é à toa que, repentinamente, me surpreendo ao chorar num filme ou num comercial de TV, ou ao dançar com a melodia e o poema de uma música permitindo que meu corpo me revele integralmente, comunicando o que há de verdadeiro em mim.
A linguagem é ponte que une e conecta os homens entre si e com os outros seres vivos. Afinal, como Caetano Veloso, “você precisa saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina; você precisa saber de mim” do que eu sei e do que eu não sei mais.
Estamos em uma simulação
Julian Medeiros
Graduando de Jornalismo. Autor dos livros "Suspiros de um jovem Cristão" e "Vivai - o multiverso da poesia".
Existe um debate em torno do que é a realidade, se, por acaso, o que julgamos ser real não seria nada mais que uma simulação bem realista. Para contrapor essa ideia, apresento três argumentos que julgo essenciais para construir a resposta a essa questão.
De início, ontologicamente, na minha concepção, simulações não podem criar simulações. Se nosso mundo não fosse real, ele não teria o poder de criar outras simulações. Mas, daí, podemos vir à primeira objeção: num cenário em que sonhamos dentro de um sonho, ou uma personagem ficcional faz uma obra de ficção, isso não seria um retrato de que simulações podem simular?
Objetivamente: não. Pois o elemento é o mesmo, e o autor também. Não há distinção essencial ou separação . A essência do sonho é a mesma, e o autor de ambas as ficções também é o mesmo. É o mesmo sonho ontológico, é a mesma ficção, apenas com narrativas diferentes, no mesmo objeto.
Em segundo argumento: simulações não têm fuga de realidade. Simulações são feitas para seguir padrões e nunca os questionar. O questionar acerca do padrão é uma evidência de que não há um padrão estabelecido (no que tange à simulação), pois é a potencialidade de quebra de narrativa, ou a possibilidade de ascender ao mundo real. Ou seja, o simples fato de estarmos questionando se a realidade é ou não uma simulação é a maior prova de que não é uma simulação.
Por fim, o terceiro argumento: o problema do mal e as questões morais nos mostram que o mundo é real. Em uma simulação poderiam haver, como há, elementos de moral, mal e etc. Contudo, no nosso mundo, elas são replicadas e vivenciadas conscientemente, não pela ação de terceiros. O que nos faz chegar à conclusão de que o mesmo objeto de análise moral e existencial no nosso mundo é o mesmo do seu Criador. Ou seja, o bem e o mal são tão reais para nós quanto o é para o Criador, mesmo Ele não se limitando ao nosso mundo (existe dentro e fora dele), pois é transcendente. Mais um reforço do princípio da Imago Dei.
O jornalista é necessário
José Santhiago
Advogado, Historiador e Pós em Jornalismo Digital. Autor do livro "Caminhada contra o câncer". Assistente em Comunicação Integrada. Instagram: @santhiago
"O jornal é história em ação", disse o escritor Ruy Castro, no Curso sobre Técnicas para a Escrita de Não Ficção da Casa Folha, em maio de 2025.
O jornal, como diário focado no acontecimento "quente", é puro movimento, independentemente do formato ou do suporte. Com o passar do tempo, historiadores e outros estudiosos o contextualizam e dele extraem todo tipo de análise e questões. Mas, no dia em que "sai do forno", é pura emoção, mexe com os brios, provoca lágrimas e desperta atenção. Paixões podem recrudescer ou guerras podem ser apaziguadas. De sua essência deriva a importância do jornalismo como ação social de múltiplas consequências e do jornalista, trabalhador das palavras que, às vezes em linhas tortas, descreve e analisa a realidade que nos envolve.
Há quem pense que é a tradição que credita ao jornal sua autoridade. Penso que não!
É a seriedade e a responsabilidade do jornalista que dão à tradição do veículo (analógico ou digital) sua autoridade de projetar no leitor a credibilidade da notícia. A checagem dos fatos e a pluralidade de opiniões sobre determinado evento permitem, mesmo a contragosto de alguns "iluminados", o necessário debate democrático sobre as coisas que realmente importam na vida das pessoas. É a escrita franca, direta, clara e precisa que dá ao leitor a percepção de segurança sobre a informação.
Assim, o papel do leitor cidadão é - antes de qualquer apologia a determinada versão de um fato - exigir do jornal e do jornalista que atuem com responsabilidade. Deve-se exigir clareza, objetividade e verdade. É disso que precisamos.